Do Censo Comum à Consciência Filosófica


Olá! Neste artigo quero compartilhar meu estudo de caso da graduação de Filosofia, onde o trabalho é provocar a reflexão de um tema importante em nós alunos. O estudo de caso é uma atividade que se relaciona a um problema do dia-a-dia, do cotidiano profissional. Serve para que seja capaz de adiantar certas problemáticas do dia-a-dia e buscamos respaldo teórico para resolver tais questões. Em um ambiente acadêmico não basta que podemos só a partir da experiência, mas é necessário que fundamentemos nossas ações a partir de uma tradição teórica/filosófica.
TEMA DA UTA VIGENTE DO CURSO: DO SENSO COMUM A CONSCIÊNCIA FILOSÓFICA
PROBLEMA: Graças à facilidade de acesso à informações, e também à facilidade para expressar publicamente nossas opiniões com um alcance relativamente amplo por meio das redes sociais, por exemplo, podemos encontrar uma variada gama de opiniões e afirmações sobre os mais diversos assuntos. Muitas baseadas em senso comum, e outras refletidas de forma mais crítica.
QUESTÃO ORIENTADORA: Há diferença entre o que chamamos de senso comum, e o senso crítico, ou a consciência filosófica? Que diferença seria essa? Como um professor de filosofia pode incentivar seus alunos a desenvolver a consciência filosófica?
Bora lá refletir 🙂
Vivemos a era do senso comum. As pessoas, sentem-se protegidas pelo fato de não haver contato direto nas relações interpessoais (mas intermediado pelas redes sociais) para “dizerem o que pensam”. Em tempos de internet todo mundo é corajoso, fala o que pensa e pouco se importa com a opinião alheia e a fonte de tais informações. Afinal “aqui” eu posso me expressar.
Porém há uma devastação de informação que circula na rede que acaba gerando notícias falsas e superficiais, as chamadas fake news. A medida que a tecnologia avança trazendo inúmeros benefícios à nossa sociedade há uma percepção de imediatismo humano. O homem não está se preocupando em investigar, pesquisar se determinada notícia é verídica ou não. Apareceu em “meu feed de notícias e eu compartilho”. Simples assim. Uma notícia que antes levava alguns dias para ser veiculada, hoje em poucos minutos torna-se algo viralizado, eclodindo diversos sentimentos nas pessoas nas redes sociais.
Notícias baseadas no senso comum, termo que se baseia em experiências do cotidiano, pré-conceitos e opiniões coletivas, e quase sempre se refere á opiniões empíricas, são de longe os maiores atrativos da grande mídia.
O senso comum não se preocupa em buscar informações sobre os assuntos que está a julgar. Preocupa-se apenas em proferir uma sentença conclusiva, definitiva e que julga ser irrefutável.
Não que o senso comum seja algo a ser condenado, e que deve ser dizimado, pelo contrário, ele é a primeira maneira no qual nós temos o nosso primeiro conhecimento de percepção de mundo. É aquela percepção que a família passa para nós e nós passamos para as outras pessoas.  Em outras palavras senso comum é aquilo que nós aceitamos como verdades e não questionamos, não refletimos e não analisamos.
  • Alguns mitos de “crença de senso comum”:
  • Olhar para o gato preto me dá azar
  • Passar por debaixo da escada me dá azar
  • O sol nasce de um lado e se põe de outro lado.
Porém devemos usar a nossa capacidade de raciocínio e de questionamento. Será que realmente o que estou compartilhando é isso mesmo? Será que esta notícia não pode ser falsa? Quem disse que olhar para o gato preto pode me dar azar?
A capacidade de reflexão e investigação é o que diferencia do senso comum para o senso crítico.  Senso crítico é buscar a informação, analisar, refletir e questionar.
Rene Descartes já dizia: “Penso logo existo”. Logo duvidar é pensar, questionar é pensar e pensar é ser humano. O pensamento crítico nos faz progredir e sair da zona de conforto. Mas hoje infelizmente com a tecnologia e a facilidade de disseminação de conteúdo o ser humano é convidado ao não pensar, ou seja, sair divulgando por ai nas redes sociais fatos sem ao menos ter o mínimo de visão crítica e ética.
Trazer para a sala de aula assuntos do dia-a-dia provocando aos alunos o pensar, instigando-os a desenvolverem uma visão crítica sobre os assuntos é o que podemos fazer para equilibrar a relação de senso comum e o senso crítico. Assim acredito que podemos formar mais cidadãos conscientes não só de si, mas como também apresentando a ele que ele também faz parte do processo e que ele também tem a sua responsabilidade no mundo.

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